blog@qui | 7º Ano

Espaço de reflexão sobre as aulas de História | Externato Maria Auxiliadora | Viana do Castelo

19.4.06

O Silêncio da Palavra

Queridos alunos!
Recebi por e-mail, do Senhor Manuel Bastos, ex-combatente da guerra colonial e autor do blog Cacimbo o seguinte comentário:


"Anexo um texto que gostaria de dar a ler aos seus alunos em primeira-mão. Escrevi-o para eles, que segundo me apercebo, vêm muitas vezes visitar o meu blog."

O Silêncio da Palavra

O que vieram fazer para a rua naquele dia as pessoas de Lisboa, antes ainda do sol nascer e quando os blindados cruzavam as ruas? Porque não faziam o que os soldados lhes diziam, apelando para que ficassem em casa?

Semanas antes, outros soldados saíram à rua em Lisboa, mas não traziam armas nas mãos nem vinham devidamente aprumados. Traziam muletas, cadeiras de rodas, braços ao peito e levantavam um cartaz de protesto sobre as suas cabeças.

Sobre as suas cabeças os soldados exibiam o espaço em branco das palavras por escrever, o silêncio dos gritos por soltar; exibiam o derradeiro protesto dos amordaçados: um cartaz em branco.

Os automóveis na Avenida da Liberdade pararam para os deixar atravessar e as pessoas pararam para ler o silêncio insultuoso do cartaz, mas em breve outros soldados que ainda tinham pernas e braços e armas vieram fazê-los parar e levaram-nos com eles. Sobre o chão ficou o cartaz em branco rasgado; a palavra duas vezes amordaçada; a palavra banida antes de ser dita; o próprio silêncio da palavra por dizer, que de tão óbvia fora previamente censurada, como um filho que é negado antes de ser concebido porque os pais se odeiam.

Agora as pessoas de Lisboa saíram à rua. E porque enchem as pessoas as ruas de Lisboa só porque os soldados apearam do poder os governantes do país? Porque não ficaram em casa, à espera que tudo se acalmasse? Que vêm dizer as pessoas umas às outras em Lisboa? Que gritam elas na rua?

Hoje nenhuma palavra foi negada. Hoje nenhum cartaz foi rasgado por ostentar a ausência da palavra proibida como se o silêncio fosse o molde da própria palavra e a repetisse incessantemente a toda a gente.

As pessoas gritam em Lisboa a plenos pulmões todas as palavras e todas as palavras são possíveis e de entre todas as palavras que dizem, o povo de Lisboa diz a palavra mais proibida de todas, aquela que foi proibida mesmo quando não foi escrita e o seu lugar em branco num cartaz fez sentir ainda mais a sua falta.

Foi isso que as pessoas foram fazer para a rua naquele dia do mês de Abril, quando as flores costumam abrir ao nascer do sol em busca da luz - enquanto os soldados apeavam do poder aqueles que proibiam até o silêncio das palavras, o povo de Lisboa saiu à rua em busca da Liberdade.

Manuel Bastos

O nosso muito obrigado Sr. Manuel Bastos por todos os ensinamentos que nos dá.
Um grande abraço, 6º ano

11 Comments:

  • At 8:02 da tarde, Anonymous rik said…

    Ta muito fixe esta historia do silencio (25 de abril).
    E muito interessante.

     
  • At 8:19 da tarde, Anonymous $@r!nh@ said…

    ta lindo bigadao pelo post mt mt obrigada foi mt gentil da sua part obrigada pelo seu apoi
    bjs

     
  • At 9:09 da tarde, Anonymous luis r o aventureiro said…

    Stora esta demais agradeca por mim ao sr.bastos
    bjs234567

     
  • At 8:03 da tarde, Anonymous ines peixoto said…

    ta mesmo mt fixe pode agradecer por mim stora.obigado

     
  • At 2:24 da tarde, Anonymous Zé Diogo said…

    O seu blog está muito giro e acolhedor
    tente contactar pelo email: pejizoco@clix.pt, pois gostaria de lhe fazer umas perguntas

     
  • At 2:26 da tarde, Anonymous Zé Diogo said…

    este ultimo comentario era pra o senhor "cacimbo"

     
  • At 3:29 da tarde, Blogger Manuel Bastos said…

    Zé Diogo
    Fico satisfeito por teres gostado do meu blog, assim como fiquei feliz pelos outros comentários sobre este meu texto que a vossa professora gentilmente publicou.
    Se desejas perguntar-me alguma coisa podes fazê-lo para o meu e-mail mcbastos@netvisao.pt
    Terei todo o gosto em responder, se souber, claro.

     
  • At 12:05 da tarde, Anonymous Margarida Queirós said…

    **************olá**************
    Esta lindo bigadao pelo post muito obrigada foi muito gentil da sua parte.Obrigada pelo seu apoi.
    +++++++++++++xau+++++++++++++

     
  • At 6:29 da tarde, Anonymous Jo@n@ said…

    Olá stora!!
    Pode agradecer ao Sr. Manuel Bastos, por ser tão simpático e nos querer dar mais informação.
    Obrigada,gostei muito!

    Jokas pa stora!!!!

     
  • At 8:14 da tarde, Blogger caropita_ said…

    ta fixe esta historia, e mtmt gira.
    Obrigada...

    bjs**************

     
  • At 9:32 da tarde, Anonymous beta said…

    ta muito fixe

     

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